a sustentabilidade é o atalho

O mundo do homem e o homem do mundo

Janeiro 24, 2010 · 2 Comentários

“Possuído pelo sonho, o homem trabalha”, diz Rubem Alves no livro Aprendiz de mim – Um bairro que virou escola, que conta a experiência da Cidade Escola Aprendiz, um projeto nascido há mais de dez anos.

Começou na Vila Madalena, com um site através do qual alunos de escolas públicas e privadas divulgavam seus textos sobre educação e cidadania. Ficou maior, se transformou num projeto que incluiu desde um beco, que se tornou quase que uma galeria de arte a céu aberto, com grafites mil, até uma fábrica abandonada, que virou um café, ponto de encontro para discussões e inclusão digital, onde os mais velhos encontram a oportunidade de aprender os primeiros cliques.

Como somos moldados pelo mundo em que vivemos, um projeto assim muda as pessoas, dá mais esperança e oportunidades, tanto que ajudou gênios como o Zezão, do grafite, que teve uma vida difícil, foi preso várias vezes, e em 2003 se tornou arte-educador do Aprendiz, deixando os dias de motoboy para ganhar seu pão de cada dia através da arte.

Rubem cita uma frase de Marx: “o homem é o mundo do homem”. Se o lugar em que você vive tem uma efervescência cultural contagiante, uma praça bonita, uma escola repleta de atividades… Enfim, se há uma apropriação do espaço público de maneira criativa, as pessoas também passam a se apropriar mais das oportunidades, elas mudam influenciadas por seu mundo.

Amanhã a cidade de São Paulo completa 456 anos. De acordo com uma pesquisa Datafolha, que ouviu 654 moradores da cidade no último dia 4 de janeiro, 41% das pessoas mudariam de cidade, contra 57% que nem cogitam sair daqui (em 2001, 61% das pessoas responderam que mudariam de São Paulo).

Já gente está aqui, pouco adianta querer mudar daqui, o melhor é mudar aqui, seja lá onde esse aqui seja. Cultivar o sonho de uma cidade melhor deveria ser regra, porque com os sonhos não há o dilema do ovo e da galinha, afinal, primeiro nasce o sonho, depois a obra – a obra pode até vir antes do sonho, mas muito por acaso, né?

Um israelense chamado Shai Agassi, que está trabalhando duro para implantar a sua ideia de carros elétricos, disse há algumas semanas numa entrevista à revista Época, quando perguntado se ele era um sonhador: “Não [sou um sonhador]. Sou um imageneer [mistura de imaginador com engenheiro, na tradução do inglês]. Quem faz artigos, livros ou filmes é um sonhador. Quem executa os projetos, busca parcerias, encontra investidores e faz o plano de negócios é um imagineer”.

A Cidade Escola Aprendiz continua a todo vapor. O Gilberto Dimenstein, que veio inspirado lá de NY e colocou em prática essa ideia de um acolhimento comunitário ligado a educação, é um imagineer. Como o homem é o mundo do homem (e homem é só uma forma de falar, inclui mulheres e homens, é claro), para melhorar, o mundo do homem depende dos homens que nele residem.

# imagem: foto de arte do Zezão #

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A coragem de Chris, de Byrne e a sua

Janeiro 2, 2010 · 2 Comentários

[ESTE POST CONTÉM SPOILERS SOBRE O FILME NA NATUREZA SELVAGEM]

O jovem da foto, Christopher McCandles, foi encontrado morto em 1992 num ônibus abandonado no Alaska. Anos antes, ele estava se formando em Direito na Emory University, em Atlanta, com pretensão de entrar em Harvard.

O filme Na Natureza Selvagem (Into the wild (2007)), do diretor Sean Pean (e com trilha sonora criada por Eddie Vedder, da banda Pearl Jam), conta a história de McCandles, que deixou família, carreira, estudos e tudo mais que você possa imaginar para empreender uma aventura solitária pela natureza em busca de autoconhecimento.

No começo do filme, quando se vê livre do mundo que tanto criticava, dirigindo seu carro velho numa longa estrada, McCandles conta que “não se deve negar que estar livre sempre nos entusiasma”.

E a liberdade é, realmente, a procura de muitos. David Byrne, por exemplo, aquele cara mil em um, que é músico, artista plástico, desenhista, escritor, entre outras ocupações, buscou entusiasmo andando de bicicleta. Desde os anos 8o, a magrela é o seu principal meio de transporte. No livro “Diários de bicicleta”, lançado recentemente no Brasil, ele conta como se sente pedalando: “A mesma sensação de liberdade que experimentei em Nova York me acompanhou enquanto pedalava por várias das maiores capitais do mundo. Eu me sentia mais ligado à vida nas ruas do que jamais seria possível se estivesse dentro de um carro ou algum tipo de transporte público. Podia parar onde bem quisesse (…) A mesma empolgação voltava a cada cidade sempre que eu sentia a brisa e agitação das ruas passando à minha volta”. Para ele, basta pedalar uns vinte minutos e qualquer chatice do cotidiano perde a importância.

Aos 57 anos, Byrne vê o mundo passar da sua bicicleta. McCandles via tudo das janelas quebradas da sua casa na floresta, ou melhor, do seu ônibus abandonado na floresta. McCandles enfrentou o mundo para seguir com a sua ideia de chegar ao Alaska, chamado de egoísta por muitos até hoje. Certamente Byrne também contrariou muita gente ao começar a andar de bike nos anos 80, quando esse hábito era ainda mais raro do que hoje.

Quase no final do filme, quando McCandles está muitíssimo debilitado, magro e pálido, ele escreve num caderno que a felicidade precisa ser compartilhada. Ao se isolar dos outros para eliminar seu “falso ser interior” e encontrar uma felicidade que imaginava estar essencialmente na relação com a natureza, percebeu que no fundo sentia falta de gente.

Tanto McCandles quanto Byrne tiveram ideias libertárias. E hoje em dia não faltam exemplos de pessoas cheias de ideias assim, pessoas que já entenderam que a felicidade compartilhada é a melhor das felicidades, que o coletivo, unido, tem mais chances de permanecer vivo. O hábito de Byrne é uma dessas ideias, o que mostra que não necessariamente é preciso ir ao Alaska para mudar de vida. No entanto, é necessário ter a coragem de McCandles, porque determinadas decisões nem sempre são fáceis de tomar.

Fotos: #1 (imagem de Christopher McCandles encontrada numa câmera que ele carregava com ele); #2 (David Byrne em frente a um de seus desenhos a lápis).

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Um profundo 2010

Janeiro 1, 2010 · Deixe um Comentário

“Nunca quis me aprofundar muito. Tudo o que quero é fazer canções pop, diretas e de qualidade”

Zach Condon, 23, vocalista da banda Beirut

Apesar de eu gostar do som do Beirut, não faço minhas as palavras do Condon. A frase dele, dita numa entrevista para a Folha antes da banda vir ao Brasil recentemente, exemplifica só um pouco do que eu quero para 2010 . Vamos à minha versão (que é só um pouquinho pretensiosa… hehehe):

“Quero tentar me aprofundar mais no que eu fizer daqui para a frente. Tudo o que quero é desenvolver projetos profundos e diretos, com tanta qualidade ao ponto de se tornarem pop”

O blog passou um tempo desatualizado, mas em 2010 espero que no mínimo haja um post novo por semana. Boa sorte para todos nós, e fiquem com a música Scenic World…

(# esta parte é a melhor: “when i feel alive / i try to immagine a careless life / a scenic world where the sunsets are all / breathtaking).

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Tinta branca, 4 da madruga e Blue Man Group

Novembro 19, 2009 · 3 Comentários

Ao invés de dar a descarga normalmente, que tal despejar um balde de tinta branca na privada? Foi isso que os moradores da zona leste de São Paulo fizeram há uns meses para testar o dispendioso serviço de tratamento de esgoto.

Como você pode ler aqui, eles se surpreenderam: coincidentemente, a água do córrego mais próximo ficou branca! Nem sinal de tratamento de esgoto… De acordo com o Jornal da Tarde, em dados de novembro de 2008, são 6.670 pontos de rios e córregos da Região Metropolitana de São Paulo recebendo esgoto in natura coletado da rede da Sabesp.

Só descarguei essa história porque lembrei que dia 14 de agosto foi o dia de combate à poluição – e quis comemorar essa data hoje também, já que todo dia deveria ser esse dia. Se muitas pessoas ainda nem aprenderam a jogar lixo no lixo, que é uma das formas mais elementares de poluir (em SP, por exemplo, são 300 toneladas diárias de resíduos coletados só na varrição!), a Sabesp deve ter se achado no direito de não tratar da “vida privada” de outros tantos cidadãos.

Diariamente, antes da maioria das pessoas cuidarem da tal vida privada, mais exatamente entre as 4h25 às 6h30, o empresário Hideaki Iijima varre a calçada perto da casa dele. Ele não é gari, na verdade, fundou uma empresa que rende alguns milhões por ano. Justifica que varrer é purificador, limpa a alma. Criou uma ONG chamada Zeladoria do Planeta que mensalmente realiza encontros com voluntários que se dispõem a varrer parques, ruas…

Eles limpam a alma com a vassoura, os moradores da zona leste com tinta branca e o pessoal do Blue Man Group com tinta azul. Claro que é preciso discutir a poluição dos carros, dos aviões, entre outros. Ainda assim, é bom lembrar que lixo é um perigoso agente poluente. Quanto mais limpeza, menos possibilidade de panes no mundo – diferentemente das salas de cinema e teatros, no globo não há saídas de emergência (vide mais informações no vídeo abaixo, criação do Blue Man Group).

OBS: E entrem no Ecoblogs - estou torcendo para entrar na turma deles!

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Mais atenção por onde pisa

Novembro 19, 2009 · Deixe um Comentário

Na última sexta aconteceu o IIº Seminário Paulistano de Calçadas. Calçadas? Sim, elas mesmas, aquelas sem as quais você estaria no olho da rua. Pode soar chato ou trivial, mas repensar as calçadas passa por questões bastante relevantes, como acessibilidade e acidentes com pedestres. Walter Feldman, Secretário Municipal de Esporte, Lazer e Recriação, estava no evento e fez questão de nos lembrar: antes de sermos motoristas, somos pedestres.

De acordo com o último censo do IBGE, em 2000, aproximadamente 14,5%. dos brasileiros apresentam alguma deficiência física, dos quais quase dois terços permanecem em suas residências. Será que eles ficariam em casa se as ruas fossem lugares mais fáceis de circular com uma cadeira de rodas? Para vereadora Mara Cristina Gabrilli não podemos esquecer também das grávidas, idosos, mulheres de salto, quem empurra carrinho com bebê… Uma calçada só é adequada se passar despercebida por todas as pessoas, principalmente pelas que se encaixam nesses últimos perfis.

Desde 2005, há um programa político de padronização de calçadas chamado Passeio Livre e no ano passado, com a aprovação do Plano Emergencial de Calçadas, começou a se pensar na revitalização das vias estratégicas. O proprietário do imóvel que não mantém sua calçada conservada corre risco de receber multa de R$200 por metro linear.

Nesse seminário também se discutiu a necessidade de mais investimentos públicos – com R$300 milhões seria possível interferir (para melhor, é claro) em cerca de 5 milhões das 12 milhões de viagens feitas a pé diariamente na cidade de São Paulo. São cerca de 30 mil quilômetros de calçadas paulistas. Começe a reparar nelas quando andar por aí, as irregularidades ainda são impressionantes.

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De mel envernizado

Outubro 31, 2009 · Deixe um Comentário

(uma crônica para reativar o blog…)

Os dois estavam direcionados para mim. Nessa hora, senti uma dificuldade imensa. Como a distância entre eu e eles era só meio passo de estupefato – aquele ser animalesco que nasce das entranhas, sem reservas, diante de fascinações –, percebi o quanto era difícil me decidir se olhava mais para um ou para outro. Eles dois, os olhos dela, forjados com mel e verniz, pareciam autônomos do seu corpo. Piscavam numa velocidade sem correspondente nem na pulsação do coração nem na velocidade da respiração. O piscar era tão rápido que demorava um ano. Se você já passou um ano a esperar por qualquer coisa, um ente viajando, uma faculdade terminando, gerúndios que descamam segundos, certamente imagina o que era ficar um ano inteiro, inteiro sem aquele olhar.

Sorte das pálpebras, estas membranas que pouco partilhavam da sua vista privilegiada. Confesso, ambas eram também esforçadas, tecidos que comportavam um oceano, especificamente um Oceano Pacífico. A correnteza me levava para dentro dela, e o mais estranho era que, refletido no olhar, eu me via. Via-me diferente, desproporcional, perdido naqueles botões que saltavam da tez pontilhada, da casca cremosa. Como eu me via perdido no olhar no qual havia me perdido? Só sei que ao mesmo tempo eu continuava tentando, sem sucesso, me decidir para que olho olhar, à espreita do momento no qual a pálpebra deixava a íris, sem lentes nem cílios por lá caídos, aparecer.  Demorava tanto que às vezes eu piscava!

Então percebi a necessidade de me concentrar no olhar dela, estabelecer uma relação tão ritmada que levassem os piscares a seguir o mesmo compasso, como numa dança na qual os parceiros articulam os mesmos movimentos, em coreografias combinadas sem combinação. Assim, os anos supracitados passavam mais rápido. Ah, ative-me tanto nos dois olhos que não tive tempo de olhar os pés da moça, quiçá eram nadadeiras.

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Tá russo

Agosto 23, 2009 · Deixe um Comentário

“Você olha um relógio. Ele funciona, mostra as horas. Você tenta compreender como ele funciona e o desmonta. Ele não anda mais. E no entanto essa é a única maneira de compreender…”.

ANDREY TARKOVSKY, CINEASTA RUSSO

O entendimento demanda reflexão. Bom domingo!

Foto: http://www.ihousephilly.org

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Quem quer água suja?

Agosto 22, 2009 · 2 Comentários

(visto em http://area3.updateordie.com/)

Para promover a consciência em relação à água potável e ao descaso com as pessoas que convivem com a dura realidade de só ter água suja para beber, a agência Casanova Pendrill fez a campanha do vídeo, chamada Dirty Water.

Já imaginou uma máquina vendendo água suja nas ruas de Nova York? Pois bem, deu certo.

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Com traição ou não, há velhos caolhos por toda a parte

Agosto 22, 2009 · Deixe um Comentário

matroos8A escritora Margarida de Navarra (1492-1549) soube revelar os vais e vens humanos no conto ”O velho caolho”. É a história de um velho tão trabalhador (e caolho!) que nem tinha tempo de ver sua jovem esposa.

A serelepe moça se apaixonou por um jovem da vizinhança e os boatos da traição chegaram aos ouvidos do marido. O velho decidiu investigar a suspeita. Inventou uma viagem de trabalho para tentar flagrar os pombinhos entre lençóis.

Quando o velho tentou surpreender os dois, chegando em casa de súbito, ainda enquanto acreditavam que ele estava longe, a moça foi mais esperta:

“Abriu a porta e, abraçando o pescoço do marido, beijou-o e colocou uma das mãos sobre o olho sadio, perguntando-lhe se com o outro ele não estava vendo tão bem quanto via antes de perdê-lo. Enquanto o marido ficava assim vedado, o conquistador pôde escapulir-se sem ser visto”.

O velho praguejou:

“Que Deus te emende! Porque está além da força humana trazer uma mulher ordinária dos caminhos do mal a não ser matando-a”.

Depois, cedeu a conselhos e voltou a viver com ela.

Recentemente, o MST pressionou o governo Lula para que 90 mil famílias sejam assentadas, na lógica de que é preciso pressionar o governo antes do ano eleitoral chegar – no qual pouco poderá ser feito.

Sob pressão, Lula decidiu atualizar os índices que medem a produtividade de fazendas sujeitas a desapropriação para reforma agrária (índices de 1975 que, espera-se, serão mais rigorosos). Os ruralistas gritaram. Argumentam que estamos em período de crise, que eles já estão muito pressionados em relação ao cumprimento da legislação ambiental…

Caso realmente esses índices sejam atualizados, muitos ruralistas terão que produzir mais para não perderem suas propriedades. Só nos resta esperar para ver se o presidente permanecerá inabalável em sua decisão – ou se fará as vezes de velho caolho e depreciador da própria palavra. Um que ontem lembrou bastante o velho da história é Mercadante.

Foto: pintura em bandeja de ovos do artista holandês Enno de Kroon (visto em http://www.bemlegaus.com/)

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Presos, Gramsci e o bobo de Clarice

Agosto 18, 2009 · Deixe um Comentário

Com 4.781 pessoas é possível começar uma manifestação em prol da paz em Gaza ou mesmo contra a CPI da Petrobras. 4.781 pessoas são o bastante para fazer um mutirão que cause alguma mudança efetiva na vida de, por exemplo, vítimas de uma enchente.

4.781 pessoas conseguiriam fazer xixi no banho 4.781 vezes, pensariam 4.781 esculturas de queijo diferentes… Brincadeiras à parte, 4.781 pessoas (esse é o número que descobriram até agora, obviamente há muito mais) tiveram a liberdade privada por incompetência do Estado – recentemente o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) averiguou a situação de alguns presos, encontrando 4.781 casos nos quais ou houve prisão indevida ou a pessoa já tinha cumprido sua pena e ainda estava entre as grades.

Vale a pena ler o editorial do Estadão de hoje, pertinentemente intitulado de “A pena de morte em vigor”. De acordo com o Estadão, “Em um ano o CNJ examinou 28.052 processos em 13 Estados e terminou por libertar 17,36% do total de presos cuja situação jurídica foi analisada, inclusive 310 menores”. Além de injustiçados, passaram dias de cachorro abandonado.

Gramsci, um pensador italiano que escreveu muito durante os mais de 10 anos em que esteve preso, disse que “pela própria concepção do mundo, pertencemos sempre a um determinado grupo, precisamente o de todos os elementos sociais que partilham de um mesmo modo de pensar e de agir. Somos conformistas de algum conformismo, somos sempre homens-massa ou homens-coletivos”. Até agora agimos fazendo vistas grossas ao caos nas cadeias. Enclausurados no nosso grupo, nos tornamos mais burros.

Antes ser um bobo destes descritos pela Clarice Lispector (veja o vídeo abaixo) do que burro. Na verdade, nem ser burro nem ser bobo adianta muito…

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